minha história
Graduei-me em Pedagogia e Licenciatura, em 1995, com habilitação em Educação Infantil, na Universidade Estadual Paulista – Unesp – Câmpus Marília. Minha turma era bem heterogênea, os discentes eram provindos das mais diferentes realidades e experiências de vida. A maioria dava duro o dia todo e, à noite, vinha para Universidade estudar. Isso sempre me remeteu à minha infância, pois o contato com aquela realidade obrigava-me e instigava-me a devanear à vontade, colorindo o que estava em preto e branco da infância, enriquecendo meus estudos e dando brilho à minha imaginação de futuro professor.
Hoje, quando me apanho passeando por minhas recordações, sinto-me impelido a contar um pouco do que me impulsionou a traçar esse caminho. Eu, criança simples, filho mais velho de uma prole de cinco, de um pai trabalhador, muito honesto e filho de mãe-criança em sua meninice, meio adolescente-criança e forçada à adultez materna precoce.
Tive que assumir os cuidados maternos e administrativos da casa, aí já começava minha afeição pelo cuidar, pelo educar, pela atenção às questões primárias e, até mesmo, pela arte, pois precisava ser artista para desempenhar o papel de mãe, de pai, de irmão mais velho e o próprio papel de filho, de pessoa, de criança.
Em meio a todas essas experiências que passei, apenas cito a cobertura, a pele, pois deixo para o leitor, no seu mundo do imaginário, criar e decodificar esses fatos como sendo seus próprios, pelos quais todos passamos: “que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.
Para alguém que teve esse pano de fundo, essa coxia como alicerce, não seria nada mais justo eu dar início a uma busca sedenta por conhecimento, que ao menos aliviasse e me adotasse como filho, saciando minha fome de amor, de “leite” materno e de espaço, para sobreviver e saber contar com significância tudo aquilo que fora impresso em minha mente de criança.
Paralelo a essa realidade familiar, existia em minha cidade, ou melhor, na fazenda onde fui criado, uma idéia de virar gente com esclarecimento. Todos os garotos, se não iam para o exército, queriam estudar e morar fora e eu, como não quis fugir a essas regras, propus-me a estudar fora. Então, ingressei numa escola Técnica Agrícola Estadual, na cidade de Vera Cruz, em São Paulo. O regime era de internato e o curso durava três anos. Sentia que lá, sem querer querendo, tentava assumir todos os papéis que havia vivido em casa, com meus pais e irmãos, mas fui infeliz em meu desejo inconsciente e acabei por descobrir que ali eu precisava, no mínimo, tentar ser eu mesmo. Coisa difícil para um adolescente que, até então, só tinha a maternagem e os afazeres de casa como experiência de relações afetivas. Novamente tive que usar meu talento inato de artista: disfarçar e transformar os sentimentos de medo, pois, ali, na maioria das vezes, os colegas eram mães e pais, mas também crianças desamparadas e com muito medo. Às vezes, recebia um abraço perdido, medroso de alguém que também estava sentindo coisas parecidas com as minhas; talvez para distrair a solidão, aliviar o cansaço e a falta de algo que não sabíamos nomear.
Esse colégio ficava na zona rural da cidade e nos finais de semana era de praxe os alunos subirem à cidade: para paquerar, passear e ter experiências das mais variadas possíveis.
Talvez o que mais tenha me marcado nesse período foram as transformações que aconteceram comigo, em todos os sentidos. Comecei a ficar mais exigente, sabia que não podia nem queria voltar para casa, queria ingressar numa universidade e que um mundo interno era percebido dentro de mim: começava a ter uma identidade.
Terminando o curso de Técnico Agrícola, comecei a fazer decorações para eventos e casamentos, na igreja da cidade de Vera Cruz, onde ficava a Escola Agrícola. Foi nesse momento que prestei vestibular para Pedagogia, na Unesp. Quem diria, passei no vestibular! O garoto pobre do interior do Paraná ia para a Universidade e, mais interessante ainda, era emergente de uma escola pública, rural, com ensino fraco.
Comecei o curso e logo surgiu um concurso para inspetor de alunos de escolas estaduais. Passei no concurso e comecei a trabalhar numa escolinha de primeiro grau, na cidade de Lácio, um distrito de Marília, interior de São Paulo, onde ficava a Unesp, faculdade que eu estudava.
Quando descrevo sobre esse tempo, sinto que uma frase popular, e muito usada pela Psicanálise, traduz o que vivi: “transformar o limão em limonada”. Penso que tive que fazer isso durante toda minha infância e adolescência, pois transformei o desamparo e a solidão em vontade de conhecer, de ir além; derrubar os obstáculos; desbravar as barreiras da ignorância; fazer o meu cenário e, se não pudesse fazê-lo, ao menos acrescentaria algo criativo, mesmo que reciclado.
E como era de se esperar, ao menos por mim, acabei convivendo com pessoas apaixonadas e apaixonantes, que me apontaram o caminho da arte como condição da existência e sobrevivência dos meus pensamentos e ideologias. Elas me contavam que para eu sobreviver e fazer perpetuar minhas idéias, eu teria que sentir a música, sofrer a dor do artista que se esfola no palco e, em meio à dor e à fadiga, agradece ao público. Aceitei a idéia e a primeira luz que me acendeu foi à do ballet. Tornei-me bailarino, saltitei, dei piruetas, padedês, atitis, tudo a que se tem direito no mundo maravilhoso da dança.
Em meio a todas essas descobertas, tomei os tropeços da vida, “caí do palco” para a dura realidade: vida de adulto não é nada fácil. Olha lá a solidão de novo! Falando uma língua confusa, que a primeira vista só me parecia dor, mas que na verdade era impulso para o novo, para o desbravar. O menino, lá do passado, retornara medroso e desconfiado daquilo tudo, órfão de mim mesmo. Novamente peguei minhas malas e fui para a casa dos meus pais e mal sabia eu que era o recomeço, “o fundo do fim, de volta ao começo” para que eu pudesse recomeçar.
Quando cheguei à casa dos meus pais, percebi que ali também não teria o “leite” que eu idealizara e esperava encontrar, tinha apenas um conforto breve e, ao mesmo tempo antigo, cheio de cobranças, mas era ali que pertenciam todos os meus primeiros contatos com a vida, com a arte, com os sonhos, com o talento de artista, o colo acolhedor que eu conhecia. E, naquele momento de angústia, o mundo todo era somente ali, não me importava mais nada. Novamente estava eu lá, menino, sem rumo, cheio de sonhos, perambulando pela casa à procura de uma saída que alguém, porventura, tivesse esquecido de usá-la. Eu a usaria sem titubear. Queria, mais do que nunca, que tudo aquilo que eu sonhava, se tornasse realidade. Daí descobri que, para eu sair da casa dos meus pais, eu precisava de algo concreto de novo. E não é que apareceu um outro concurso? Prestei e passei. Achei que afogaria minha arte, meus sonhos num trabalho seguro, sem luzes, sem palcos. Tolo eu quando pensei nisso! Era apenas uma armadilha do meu superego para eu cair de patinho no mar das letras do pensamento, dos questionamentos e até mesmo dos palcos.
Estava eu, aqui em Curitiba, sozinho, inseguro, mas não mais como aquele menino, apenas parecido com ele e com outros pertences em minha bagagem. Meu almoxarifado agora continha a arte, a capacidade de pensar, a idéia de que tudo podia se transformar. Até mesmo uma música, aquela que a Beth Carvalho interpreta tão lindamente, “O meu guri”, que me impelia a criar um novo passo a cada momento. Aceitei o desafio. Como os gritos do meu amor pela educação eram altos por demais, alguém os ouviu e fui trabalhar numa escola de educação infantil, o Atuação, em Curitiba.
Minha alma de artista já não perambulava mais, estava encontrando um corpo para residir e se apropriar. Eu permiti que, o que antes era apenas grito, dor e desejo, se transformasse agora, mais do que nunca, em minhas realizações, flores perfumadas.
Começaram os convites e o horizonte foi crescendo, virei professor, palestrante, artista, diretor, ator, consultor em educação, escritor e, o que não podia faltar, é claro, era a luz para “lumiar” meu palco, minha coxia. Fui convidado a pesquisar e escrever sobre os dez anos do festival de teatro de Curitiba. Meu palco se iluminou novamente, a ribalta voltava a funcionar a todo vapor. O que me encantava era o meu cenário: sempre repleto de crianças, como os irmãos que tive que ajudar a crescer, mas agora podia fazer isso consciente e por opção.
Meu mestrado teve as pompas e as circunstâncias merecidas a um ato de amor à arte e à educação. Foi resultado de muitos monólogos comigo mesmo, solitários, narcísicos; mas inovadores e cheios de “pulsão de vida”.
Nessa trajetória, tenho escrito vários livros educacionais e, por vezes, aquele garoto inseguro me pega – sabe aquele que tinha medo de quase tudo? Até acho bom quando ele me pega, tenho aprendido a lidar com ele, falo melhor seu idioma, cada vez o compreendo mais. Mesmo que ele venha medroso, inseguro, brinco com ele e faço uso disso escrevendo para crianças, para adolescentes e até para “adultoscentes”.
Tenho me tornado o que nunca esperei ser: artista, educador formador de opiniões. As transformações acontecem diariamente, mas sei que tenho me tornado também mais humano, mais criativo, menos cego de mim mesmo e faço uso mesmo de minhas dores e angústias para criar, para realizar, talvez até para sublimar, e cada vez mais tenho tido coragem de ser eu mesmo, apenas Geraldo Peçanha de Almeida, sem deixar faltar nenhuma letra.
Pensei em ser o mais sucinto possível para falar de minhas qualificações, pois sinto que o mais considerável citei acima como experiência de vida.
Minha Graduação em Pedagogia e Licenciatura fora concluída no ano de 1995, com Especialização em Educação Infantil, na Universidade Estadual Paulista – Unesp – Marília – SP.
Qualifiquei-me no mestrado em fevereiro de 2002, na Universidade Federal do Paraná. Curso de Pós-Graduação em Letras, área de concentração em Estudos Literários. Talvez tenha sido o ápice das minhas escolhas acadêmicas, pois tive o contato com a realidade de uma Universidade Federal em sua totalidade, imprimindo de forma mais concreta meu desejo pela união da arte, do pensar com a educação, em seus primeiros anos, sendo concentradora de saberes e ampliando os horizontes das transformações. Principalmente os educadores que são os principais responsáveis pela formação de opiniões acerca do ensino e das relações em geral.
O contato com os educadores daí em diante foi total. Esse trabalho tornou-se “meu próprio sangue”, “meus pulmões”. “Respirava e pulsava” em mim o desejo pela apreensão do belo em sua plenitude, pois à medida que as pesquisas tornavam-se concretas e obtinham resultados satisfatórios, chegavam os convites para palestras e trabalhos de formação de educadores.
Trabalhei como Coordenador do Programa de Formação de Professores para Magistério Superior; Coordenador de curso de formação de professores para exercício de docência superior; Professor de Graduação e de Pós-graduação na faculdade e, na UFPR, fui professor do DEPLAE – Departamento de Planejamento e Administração Escolar. Também fui Professor de Graduação da FAMEC – Faculdade Metropolitana de Curitiba; Professor de Graduação da Faculdade OPET de Curitiba. E, por fim, ainda sou Professor de Pós-graduação do IBPEX – Instituto Brasileiro de Pós-graduação e Extensão.
Tudo isso me faz pensar na capacidade que fui adquirindo ao longo dos anos, para tornar rotina em minha vida a busca pela compreensão e o que envolve a formação humana. Também pensar na qualidade dos frutos que fui colhendo ao longo da caminhada.
Atuei como Professor de Graduação e Pós-Graduação em Pedagogia – Faculdades São Judas Tadeu – FAPI. Isso cada vez mais imprimiu em minha carteira de experiências meu desejo de aprofundar-me ainda mais nesse mar da formação de futuros profissionais, pois acredito muito no professor como um dos maiores formadores de opinião.
Mas, sem dúvidas, o que me deu forças para me apaixonar ainda mais pela educação foram os anos em que atuei como professor de Ensino Médio, no Colégio OPET, e como professor de Ensino Fundamental, no Colégio Atuação. Penso que fora no contato diário com essas crianças e adolescentes e até mesmo com seus familiares que fui aprendendo a aprender e apreender os conteúdos que ficavam latentes e que só se manifestavam no dia-a-dia, por meio do tato e da dedicação.
Cito agora algumas das atividades desenvolvidas, as quais serviram como degraus para minha escalada para o momento presente: Colégio Anchieta, onde atuei como Coordenador Educacional; Escola Atuação, como Professor Diretor de Teatro; na ANEC – Associação de Ensino e Cultura –, como Coordenador Pedagógico; Revisor Técnico de Teses de Mestrado nas áreas de Administração, Direito, Medicina e outros, das universidades: UFRGS, UFPR, FGV e UFSC; Coordenador/professor do “Programa de Construção para a docência no ensino superior”, da Faculdade Opet; Tutor e palestrante da DTCOM, empresa especializada em educação e-learning (cursos via satélite e on-line); Consultor e palestrante do GAE – Grupo de Assessoria Empresarial – Marechal Cândido Rondon; Palestrante do SINEPE/PR – Sindicato das Escolas Particulares do Paraná.
Fui Colunista do portal www.maiscuritiba.com.br – colaboração semanal na coluna “Maisteatro”; Participação na fundação de duas faculdades na cidade de Curitiba – Faculdade Divina Providência e Faculdade Anchieta; Diretor de teatro amador de inúmeras montagens (tendo recebido mais de 10 prêmios municipais pela obra); Revisor de texto da Revista científica Ciência Empresarial; Colunista semanal do jornal O Estado do Paraná, na coluna Educação em Pauta.
Na produção de artigos, também pude observar que estava valendo à pena dar continuidade às pesquisas, pois os temas pesquisados revelavam soluções, dando maior segurança de que algo estava sendo produzido e que poderia sair da mente, do imaginário e se transformar em algo concreto, sendo pensado e imaginado por outras pessoas. Nesse período, escrevi: Entre a janela e a praça – o espaço fictício na obra de Maria Clara Machado – portal www.maiscuritiba.com.br; Da decodificação à desconstrução: os porquês da leitura – Revista Opet & Mercado, Curitiba, novembro, 2002; Da decodificação à desconstrução: os porquês da leitura – Anais do III Congresso Paranaense de Educação, Curitiba, julho de 2003.
Como sempre, senti-me muito prático e dinâmico em meus afazeres e construções e agora me sinto impelido a dar continuidade a esse breve relato falando um pouco daquilo que ocupa um dos lugares mais importantes em minha vida hoje, que são meus livros. Entendo que para alguém se desenvolver, é necessário estar aberto e reconhecer algumas habilidades vitais em funcionamento biopsicossocial. Portanto, meus livros educacionais tiveram e terão essa missão: mostrar ao leitor as necessidades em desenvolver e transformar o pensamento, a leitura e a prática para serem aplicados nas performances pedagógicas, até mesmo para dar conta de fazer uso de seus conteúdos teóricos sobre a psicomotricidade e para poder discutir a integração do universo motor com o eu emocional. Ou seja, o mundo interno integrado ao externo.
Os livros educacionais que escrevi são: Teoria e prática em psicomotricidade: jogos, atividades lúdicas, expressão corporal e brincadeiras infantis – Editora WAK, Rio de Janeiro, 2006; Transposição Didática: por onde começar? – Cortez Editora, São Paulo, 2006; Prática de Alfabetização e Letramento – Cortez Editora, São Paulo, 2006; Produção científica, artística, técnica, cultural e méritos profissionais na área do Conhecimento. Palco Iluminado: 10 anos de história do festival de Teatro de Curitiba – Editora da UFPR, Curitiba, 2005; A produção de texto nas séries iniciais: desenvolvendo as competências da Escrita – Editora WAK, Rio de Janeiro, 2005; Teoria e prática em psicomotricidade – Edição do autor, Curitiba, 2004. Entre a janela e a praça – o espaço fictício na obra de Maria Clara Machado – portal www.maiscuritiba.com.br. Da decodificação à desconstrução: os porquês da leitura – Anais do III Congresso Paranaense de Educação. Curitiba, julho de 2003.
Da decodificação à desconstrução: os porquês da leitura – Revista Opet & Mercado, Curitiba, novembro, 2002. WORK’S, peça de teatro. A montagem teve sua estréia no Teatro SESC da Esquina, em outubro de 2000. FLICTS, adaptação para o teatro. A peça estreou no Teatro SESC da Esquina, em outubro de 1999. Serafina e as crianças que trabalham: adaptação para o teatro. A peça estreou no Teatro SESC da Esquina, em outubro de 1998. Sobre a brevidade da vida, adaptação para o teatro. A peça estreou no Festival Estudantil de Teatro de Curitiba, promovido pelo SESC. Na ocasião, a montagem recebeu quatro prêmios e viajou a convite para Santa Catarina.
Mas as descobertas não pararam por aí. Ao longo da minha experiência, fui me convencendo de que livros ligados à psicologia humana e ao cotidiano poderiam ser bem-vindos também. O horizonte abriu-se, pensei nos sonhos e expectativas colocadas em cada um de nós por nossos pais, amigos, nós mesmos, enfim, que nos cobrem com um manto pesado de culpa e frustrações.
Comecei falando dos filhos que não podem ser o que os pais sonharam, talvez buscando encontrar dentro de cada um de nós um pouco das frustrações da vida adulta, da falta, do vazio, da angústia, da ausência de respostas. Sinto que nem sempre meus trabalhos, e livros, “filhos meus”, acontecem da forma que idealizei, então fico me indagando acerca das relações, de saber se o amor tem medida, tempo, espaço. Por isso, acabei escrevendo um livro infantil que leva o título: “Para Sempre”, que traz uma garotinha tranqüila, que lida de forma salutar com a separação dos pais e tenta entender de maneira sublime as fantasias e projeções dos adultos sobre os seus sentimentos. Mas não paro por aí. Em seguida, sou surpreendido de novo, nesse “trânsito” de minha mente, por aquele garoto medroso e sozinho, sabe aquele que de vez em quando me pega? Mas cada encontro com ele tem sido diferente e conseguimos estabelecer uma relação entre nós. Em meio a esses diálogos comigo mesmo, com a vida e com a morte, nasceu o livro: “Eu me chamo Pedro. Você me chama Baleia”, uma narrativa melancólica com ilustrações bucólicas e taciturnas, cheias de realidade, principalmente dos meninos, que para vencer precisam enfrentar seus medos da castração. Mas nem tudo fica cinza. Vez ou outra, o meu céu também fica azulzinho-azulzinho, cor de anil. Mas isso já é batido, jargão. Não quis ser repetitivo, preferi ficar com a beleza do nascimento de uma criança, com a sabedoria de uma mãe que dá respostas imediatas aos filhos. Já se era de esperar que eu, “fuçado” que sou, ia meter-me com o infinito. Nasce outro livro, “Um buraco no meio do Céu”. Uma bruxa! Imagina só: atrevida, criativa, em suas meias verdades, recheadas de mentiras e seduções. Vai encantando as pessoas que estão fixadas na idealização de viverem novas emoções, encontrar algo divino, transcendental.
Mas minha vida nem sempre é feita de contos infantis coloridos. Vem a realidade que grita em meu peito, despertando-me para eu espiar o que está acontecendo.
Numa de minhas viagens para o Amazonas, deparei-me com uma bela história que pouco foi contada para os seus. Pude, então, dar nome a outro livro, o qual me traz gratificação só de olhar para seu título, “Mazagão Velho: diásporas negras no baixo Amazonas”. Nossa, sou grato àquele povo pela riqueza e sabedoria que me fizeram olhar para sua história de alegrias, dores e conquistas.
Sei que a cada minuto nascem e nascerão outros títulos, e outros que já estão “na estufa”, aquecidos e prontos para serem lançados no mercado, já estão com vida própria: “Práticas de leitura para neoleitores”; “Amanhã Deus vai ficar com raiva”; “Para a lua um quarto, para o Sol meio-dia”; “A velha Fedorenta” e tantos outros que a cada sonho, a cada amanhecer, a cada pensamento novo que me rouba a liberdade, dão-me mais certeza de que a única forma de me manter vivo é continuar escrevendo.
A criatividade tem sido minha companheira diária. Ela é inimiga da solidão, irmã da satisfação, prima da conquista e filha da paciência, que é irmã gêmea, univitelina, idêntica ao amor.
Como sou escritor, vou plagiar um título de um livro meu para expressar o que desejo daqui em diante. “Para sempre”, não tem peso, não tem medida, não tem tempo, não tem limites. Então, “Para Sempre” é como a vida, tem surpresas e tem um novo dia e uma nova noite. “Para Sempre”! Finalmente quero poder escrever enquanto eu estiver, enquanto eu for: “Para Sempre”!